Eu estava parada no farol quando comecei a chorar sem conseguir identificar um motivo claro. Não tinha discutido com ninguém, não recebi nenhuma notícia ruim, e o dia seguia como qualquer outro. Limpei o rosto, esperei o sinal abrir e segui dirigindo sem entender de onde aquilo tinha vindo.
Nas semanas anteriores, eu já vinha acordando por volta das três da manhã com o coração acelerado, esquecendo palavras no meio de conversas e me irritando com situações que antes passavam sem importância. Meu ciclo ainda parecia relativamente regular, o que me fazia pensar que essas mudanças não tinham relação entre si.
Marquei uma consulta e fiz exames de sangue, avaliação da tireoide e dosagens hormonais. Os resultados não mostraram alterações relevantes, e a orientação inicial foi de que os sintomas estivessem relacionados ao estresse.
Levei mais de um ano e passei por três médicos diferentes até que a possibilidade de perimenopausa fosse incluída na avaliação, considerando minha idade, meu histórico e o conjunto dos sintomas.
Nas consultas, eu tentava lembrar cada mudança na hora e sempre esquecia alguma coisa, ou perdia a sequência de quando cada sintoma tinha começado. O problema real estava em organizar tudo isso antes de entrar na sala de consulta.
Experiências relatadas como essa ajudaram a orientar a criação do Método 3R: Reconhecer, Registrar e Relatar.